Receber o diagnóstico de um câncer ginecológico é, por si só, uma experiência transformadora. Mas, quando esse diagnóstico afeta diretamente o útero, os ovários ou outras estruturas ligadas à fertilidade, muitas pacientes enfrentam um medo que vai além da doença: o medo de não poder mais realizar o sonho da maternidade.
Essa é uma das perguntas mais delicadas que surgem no consultório: “Doutor, ainda poderei ter filhos?”. A resposta depende de uma série de fatores, como o tipo de câncer, o estágio da doença, o local exato do tumor, a idade da paciente e o tratamento necessário. Cada caso é único — e é exatamente por isso que a abordagem também deve ser individualizada.
Existem tratamentos cirúrgicos que permitem preservar a fertilidade, especialmente quando o diagnóstico é feito em fases iniciais da doença. Em alguns casos, é possível remover apenas parte do útero ou do ovário, preservando as estruturas necessárias para uma futura gestação. Quando isso é viável, o planejamento do tratamento é feito com muito cuidado, contando com a participação de uma equipe multidisciplinar que envolve oncologistas, cirurgiões, ginecologistas e especialistas em reprodução assistida.
No entanto, nem sempre esse tipo de preservação é possível. Quando há necessidade de retirar o útero ou os ovários, outras alternativas podem ser consideradas. A coleta e o congelamento de óvulos antes do tratamento é uma das estratégias mais utilizadas. Esses óvulos podem ser fertilizados posteriormente e a gestação pode ser realizada com o auxílio de uma barriga solidária, ou mesmo através da adoção — uma forma legítima e cheia de amor de formar uma família.
O mais importante é que a paciente saiba que ela tem o direito de ser ouvida, de ter suas dúvidas esclarecidas e de contar com um plano de tratamento que leve em consideração seus desejos, valores e sonhos. O câncer não define uma mulher. A forma como ela é acolhida e respeitada em sua jornada, sim.
Falar sobre fertilidade no contexto do câncer não é apenas uma questão técnica: é um cuidado que valoriza a história e o futuro de cada paciente.
Dr. Guilherme Zatti Fedrizzi CRM 37180 | RQE 37252



